Ditadura Civil-Militar no Brasil (1964-1985): nada a ‘devidamente comemorar’, apenas a repudiar

Em 25 de março de 2019, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro, recém eleito e empossado com uma agenda de extrema direita, indicou aos quartéis que fizessem a « devida comemoração » do golpe militar de 1964. Não é nenhuma surpresa, considerando que durante anos sustentou na porta de seu gabinete de deputado federal um cartaz onde dizia que « quem procura osso é cachorro », referindo-se de forma pusilânime ao périplo árduo e sofrido de famílias e amigos em busca dos mortos e desaparecidos produzidos pelo regime. Após o elogio à Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel que esteve à frente da tortura nos porões da ditadura militar, por ocasião do voto pelo impeachment da presidenta Dilma Roussef, realizado então pelo deputado, não se poderia esperar outra coisa. Até o presidente atual do Chile, Sebastian Piñera, insuspeito de esquerdismo, considerou « infelizes » as declarações bizarras e agressivas proferidas por Bolsonaro e sua equipe em visita recente àquele país. Ali morreram, sumiram ou foram torturadas 38.254 pessoas, oficialmente constatadas por três Comissões da Verdade institucionais.