Um relatório inédito da Associação Opará, produzido em parceria com a Educafro, revela que a presença negra ainda é drasticamente reduzida nos espaços de comando das instituições federais de ensino. O estudo analisou 35 universidades e 20 institutos federais para verificar a implementação do Decreto nº 11.443/2023, que estabelece o mínimo de 30% de pessoas negras em cargos comissionados e funções de confiança na administração pública federal.
Os resultados são graves. Entre as universidades analisadas, 88,58% não alcançaram o percentual estabelecido. Nos institutos federais, o índice chegou a 75%. A ausência é ainda mais explícita em 17,1% das universidades e em 55% dos institutos pesquisados, que não possuíam nenhuma pessoa negra ocupando uma pró-reitoria.
Esses números demonstram que o racismo institucional não atua apenas impedindo a entrada da população negra. Ele também estabelece limites para sua ascensão. Após séculos de exclusão educacional, pessoas negras finalmente ampliaram sua presença nas universidades por meio das ações afirmativas. No entanto, quando observamos os gabinetes onde recursos são distribuídos, prioridades são definidas e decisões estratégicas são tomadas, a estrutura racial do poder permanece quase intacta.
O relatório tem um título provocador: “Por que continuar com o cinismo?” A pergunta confronta um país que celebra a diversidade em campanhas institucionais, mas tolera o descumprimento de políticas raciais nos espaços de liderança.
Não existe democracia plena quando a população negra pode estudar, trabalhar e produzir conhecimento, mas continua afastada das decisões. Inclusão sem participação no poder é apenas uma igualdade pela metade.
Baixar relatório aqui: Caderno Desigualdades em Evidências – Por que continuar com o cinismo? A implementação do Decreto nº 11.443/23 nas Instituições Federais de Ensino

